Eu era muito pequeno, talvez uns 4 anos (1985) e minha mãe improvisava uma fantasia para mim e para ela. Íamos às matines de carnaval num clube perto da nossa casa. Meu pai, enquanto morava conosco, sempre manifestou sua afinidade com o batuque. Ora ouvia Alcione, ora Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Leci Brandão, Almir Guineto, Clara Nunes... Quando a cerveja "alcançava o teto" da sua cuca, abria as portas para os vinis da Jovem Guarda. No rádio, durante a semana, Zé Ramalho me assustava com uma das canções que fazia parte da novela Roque Santeiro (TV Globo). Mas a nossa radiola de madeira também reproduzia sons das principais emissoras da década de 80 em Mato Grosso. Ouvíamos Rosana, Balão Mágico, Lulu Santos, Xuxa, Tim Maia... Os passeios eram sempre muito modestos, casa dos avós (tanto paternos quanto maternos), casa dos padrinhos, dos amigos dos meus pais. E algumas poucas vezes para a casa da minha tia no interior. Joguei bola, soltei pipa, colei chiclete e coloquei carrinho de fricção nos cabelos das minhas primas, quebrei vidraça, coloquei cobra de borracha na gaveta da professora, apertei campainha e saí correndo, tomei banho de chuva e no "rio" que formava na esquina da minha rua - eu e meus amiguinhos nadávamos de braçada na enxurrada. Sempre gostei de bichos. Não podia ver um aquário que ficava "hipnotizado". Não fiz tudo o que queria, mas tudo o que conseguia fazer. Não ganhei todos os brinquedos, mas contentei com o que pude brincar. Tinha uma verdadeira paixão pelos meus discos, entre eles, o do Topo Giggio. Apanhei muito, mas muito mesmo, rs. Caí do balanço, levei picada de maribondo (após jogar pedra neles, é claro), andei de bicicleta, mas nunca, nunca matei passarinho. Sempre abominei o uso de estilingue para fins mortais. "Trabalhei" várias vezes com meu pai no caminhão. "Ajudei" muitas vezes minha mãe na venda dos seus produtos. Amei com todas as minhas forças meu primeiro e único cachorro, o Plutão, que viveu conosco dos meus 2 aos 14 anos. Comi amora de cima do pé na casa da minha avó. Tia Nadir, minha primeira professora, tia Antônia, tia tereza e Francisca que dizia: "Vocês já estão na 4ª série, não podem mais chamar a professora de "Tia", rs. Aos 4 anos também tive meu primeiro contato com o mar (Foto)*. Tinha muito medo do tubarão. Nossa! Nem queria entrar na água. Era literalmente arrastado para a água salgada. Quem diria? rs. Jamais imaginei que aquele primeiro contato com o litoral paulista seria o primeiro de muitos outros que reiniciei na adolescência por conta própria e que hoje é raro passar um ano sem. Nos próximos posts vocês vão compreender porque. Tôtabraço pra quem é de abraço. Tôtabeijo pra quem é de beijo! Jhonatã Gabriel (Tôta, exclusivamente para os mais íntimos) ______________________________________________________ *Meu primo de segundo grau, Christian Duarte e minha prima Ana Carolina.
